segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Roll us a giant

E retorno mais uma vez ao ponto inicial, onde eu vivo apenas para mim e para aquilo que me interessa, não mais pensando nela ou em qualquer outra que um dia derramou vagarosamente doses de sentimentos e palavras caridosas numa xícara branca e me entregou. Não me imagino mais engolindo cada gota daquele sentimento e daquele café fumegante. Não consigo mais escrever as mesmas palavras pesadas e sem sentido de antes, não me exalto, não ouço e não faço mais questão de ser ouvido... E assim as coisas começam.
Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia. Troquei os móveis de lugar na esperança de não mais encontrar qualquer vestígio de saudades ou de presença... Eu não sei mais o que pensar nem o que ouvir, e numa tentativa de fuga (mal-sucedida, diga-se de passagem) deixei mais uma vez a casa que me acolheu durante muito tempo, em busca de qualquer coisa que fosse, que me deixasse mais uma vez encantado.

Eu não lembro da última vez que me declarei, nem lembro da última vez em que ouvi uma declaração. Me preocupo mais com as tardes frias e nubladas, com algumas gotas de chuva na varanda... Não desejo mais a agitação das cidades e nem os sorrisos anônimos que cruzam os ambientes à procura de uma boca, suspiros, aventuras que duram eternamente enquanto a noite não acaba, e findam-se num trocar de números falsos de telefone. Eu não ouço mais as mesmas músicas.
Eu não pronuncio muitas palavras, eu não absorvo muitas palavras.
Vivo hoje com certa tranquilidade apesar de saber que nessa busca incansável pela felicidade, ela já me saudou e se despediu de mim com a mesma frequência em que eu respiro. Não me importo, apenas continuo caminhando lenta e dolorosamente para uma busca de paz interior, e quando encontro-a, tudo se transforma num caos produzido por mim mesmo... E aí eu descubro que eu não faço mais sentido.
Mas eu faço todo sentido.

Ultimamente venho pensando somente em uma pessoa, aquela pessoa de poucas palavras e olhar perdido... Mas não me importo se vamos nos unir ou não. Eu já não sorrio, já não choro, e isso me basta para que as coisas continuem acontecendo como sempre aconteceram.
Eu não tô triste, nem feliz, eu tenho alguns bons e velhos amigos que entendem (ou pelo menos deviam entender) tudo que se passa.

Admito que passo a maioria desses novos dias chuvosos pensando apenas nela, e na fumaça, e nas cervejas, nas poucas palavras e no "me chama pra tua cama". Esboço um sorriso e trago mais uma vez a fumaça... Eu já não me importo mais comigo, mesmo me importando excessivamente com uma sanidade mental que há tempos não existe mais em mim.
Eu estou perdidamente situado em mim mesmo, e nas gotas de chuva que agora batem na minha janela.

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