quinta-feira, 6 de outubro de 2011

The Dwarf and the horse

O dia amanheceu num misto de felicidade e melancolia, ironicamente refletidos nos vidros da janela do quarto, que foi por onde olhei a névoa cinza e as nuvens cheias que passeavam pelo céu. Sorri um sorriso esquisito, meio que incrédulo... Mas ainda satisfeito por tudo que o dia teria a oferecer, mesmo que não fosse de tão grandioso... Me preparei um café e sentei aqui, a ouvir minhas músicas e a ler os velhos textos de sempre, velhas cartas, poucas vozes e uma batida contínua que é a única que consegue me embalar, e já faz tempo que procuro por novos horizontes.
Ouvi novamente aquela música que marcou um término, um novo começo e uma nova experiência... Várias sensações que se findam num único lugar, onde nada, absolutamente nada acontece, e nada me impressiona.
Os beijos, as carícias e a chuva. Admito que pensei em tudo isso durante os passados dias, mas sem me apegar à minha vontade intrínseca de continuar as coisas como elas deveriam continuar... E subitamente me encontro num estado de espírito onde as coisas podem apenas existir, ou não existir... Podem permanecer completas ou incompletas... Nada disso me abala mais, e digo isso com um meio-sorriso no rosto.

Me despeço de um tempo em que amores me abalavam, e me despeço de um tempo em que a solidão foi, por muito tempo, a salvação de todos os meus pecados e a explicação de meus atos impensados. E saí de casa com um guarda chuvas nas mãos, com os mesmos velhos materiais na mochila e desejando fortemente uma xícara de café e um cigarro de palha, desses que sempre me acolhem nos momentos mais críticos de uma existência quase nula.
As pessoas na cidade parecem todas iguais, sempre mergulhadas em seus pensamentos esquisitos sobre coisas esquisitas, mas quem sou eu para julgá-las quanto a isso? Cato um desses de palha e acendo, tragando mais uma vez vários desses pensamentos aleatórios que permeiam minha cabeça e expelindo-os com a mesma naturalidade em que vejo as formas quase psicodélicas que a fumaça desenha no ar... Tomo aquele mesmo ônibus, radicalmente na mesma hora.

Algumas mensagens no celular, e eu nem sorrio e nem choro por dentro, apenas respondo-as com uma simplicidade que eu mesmo desconhecia, e então me dirijo para um local previamente estabelecido e encontro-a, uma velha amiga de velhos tempos atrás, com a qual me atraquei durante alguns dias. Sorrio, e olho para ela com o mesmo sorriso de tempos atrás. E começamos uma caminhada até um dia cinza, que o destino com certeza escreveu em suas linhas certas, que insisto em rabiscar.

E eis que as coisas não tomaram nem um rumo diferente, nem um rumo trágico, nem feliz... As coisas simplesmente continuaram como estavam. Olhamo-nos nos olhos e... e não dissemos nada. Foi uma daquelas despedidas que sempre fizemos, e sempre faremos... Não pelo excesso de sentimentos, ou de expectativas, mas pela natureza simples de nossos atos e palavras. E eu me despedi, ela se despediu, e o céu nos saudava com seu jeito cinza, porém acolhedor. Algumas gotas começaram a cair, e eu novamente acendi um cigarro e fui até um local apropriado para uma xícara de café.

E eis que encontro por entre as árvores, outra daquelas pessoas em que afogo minhas mágoas temporariamente. Um dia estranho que ainda não se findou, apesar das poucas horas de sono e da transição entre os dias e as noites que marcam um período contínuo e silencioso dessa minha vida.

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