quarta-feira, 20 de março de 2013

O furacão na loja de penhores.

- Aí eu falei que não, né? Porra nenhuma. O cara não me respeita...
- Mas isso antes ou depois da...

- Olá. 


As duas olham pro cara que acabara de entrar. Aspecto meio idoso, com aquele chapéu verde, o olhar perdido e o cheiro de cigarro impregnado no corpo. 
- Como podemos te ajudar, senhor? - uma das mocinhas atrás do balcão pergunta, olhando-o dos pés à cabeça, sabendo que ele não poderia saber onde estava.
- Onde eu estou?

Elas se encaram, como quem já sabe exatamente como proceder. Mas com ele seria diferente. Das outras vezes que isso ocorreu, preferiram conscientizar as pessoas o quanto antes. Mas com esse cara não. Talvez fosse melhor dar uma brincada, talvez fosse melhor deixá-lo descobrir sozinho exatamente onde estava e por que estava. Mas em todo caso, ficaram caladas.
- Isso aqui é o café ao lado do paraíso, senhor. Como podemos ajudá-lo? Está servido de um café?

- Posso usar o telefone?
- Mas pra quem o Senhor quer ligar?

Raras as  vezes em que nos falha a memória e que tudo que há no bolso é aquele box com dois filtros vermelhos e um frasco conta-gotas.
Talvez o paraíso fosse mesmo ao lado.


Ele sorri, tira do bolso aquele frasco.
- Estou servido do café.-tosse- e faço questão de companhias...



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