Menina normal, de estatura normal e uma vontade enorme de viver o mundo, sair por aí fotografando tudo e todos e encontrar um amor, verdadeiro amor que a seguisse aonde quer que ela fosse. Aos dezesseis conheceu um, aos dezessete conheceu o outro, ambos muito diferentes entre si e dois universos muito diferentes, embora parecidos em certa parte. Justo naquela que ela pretendia esconder um do outro. Preferia não fazer o papel da intersecção entre os dois...sabe como é, porque no fundo ela sabia que não precisava. Nada mais justo que manter dois amores fora um do outro.
Durante muito tempo fotografou estrelas, paisagens e poucas pessoas. Vivia bem com o coração agora frustrado que carregava dentro daquele peito aflito que fazia os olhos refletirem toda aquela apreensão que no fundo ela sentia.
E aí entre os dezesseis e os dezesseis e meio, ela ouviu a primeira declaração de amor e sentiu a primeira sensação de prisão de sua vida. Não era pra acontecer, mas um "eu te amo" soou tão ameaçador e tão agradável de se sentir que ela acabou retribuindo com um outro "eu te amo" e uma noite de sexo sujo e violento. Aquilo era o verdadeiro amor que se pensa que deve se sentir pelo outro. Exatamente desse jeito, sentindo aquele órgão rasgando-lhe ao meio.
E com o outro foi totalmente diferente. Ele era de poucas palavras, poucas atitudes, alguns olhares e sorrisos. Não tardou para que estivessem saindo juntos, dormindo juntos e compartilhando o café na tarde chuvosa. Não tardou para que ela naturalmente passasse mais tempo com o segundo e não com o primeiro dos homens. Ligações do primeiro que sempre caiam na caixa postal e sempre a mesma coisa monótona, e ela já não acreditava tanto quando procunciadas aquelas palavras mágicas pela boca desonesta do primeiro. "Eu te amo" nunca soou tão banal. Principalmente pelo alto falante de celular.
Enquanto isso, o outro nunca havia proferido sequer a palavra "amor" na frente dela. As fotos agora predominantemente alegres, com temas floridos e coloridos, e um dia até ele mesmo tirou uma foto dela que ela aparecia toda sorridente pro mundo, coisa estranha de se ver, mas bonita, ela que nunca havia sorrido como estava sorrindo naqueles momentos que passava com o segundo. É.
E dia após dia, o amor de um e a indiferença de outro começavam a se mesclar. Da boca de um, a frase possuía algum efeito, mas o que ela realmente queria era um outro efeito diferente do primeiro, de maneira que ela pudesse sentir-se especial. Não daquele jeito automático, não do jeito que o primeiro havia usado, uma frase que pudesse derretê-la por dentro, chorar durante noites e noites e desejar que os dois pudessem realmente ficar juntos para toda a eternidade...E ela queria ouvir palavras que a fizessem chorar de emoção, e queria abraços eternos, ou tão eternos até o último segundo.
"Preciso ir embora."
E a frase do segundo foi mais impactante que o "Eu te amo" do primeiro.

Música:
Vocês não tem noção do quanto essa porra é hipnotizanetemente boa ao vivo.
"Ah, tá todo mundo dançando eu também quero dançar"
é exatamente isso que se pensa.
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