terça-feira, 19 de outubro de 2010
Declaração de amor:
Use o Mouse.
"Todos os dias eu acordo ali por volta das 17:54, pensando no próximo fim de semana, pensando em tudo que a gente pode fazer juntos além de ficarmos ali sentado na cabana, próximo à fogueira, e todos os dias eu preciso trabalhar pra quebrar um pouco essa rotina dos mesmos pensamentos destrutivos que me aterrorizam até tarde da noite.
Parte da noite eu penso em você, né? A outra parte eu dedico à mim mesma, que me pego na cilada de estar pensando em você. Distância é uma coisa que dói, sabe? Mas não é uma dor ruim de se sentir, nem é tal que imploremos pra que pare...É desconfortável. Aliás...Um dia a gente acaba mudando de posição, deitando um pouco mais de lado, porque tem hora que as dores no corpo são meio que... violentas de mais pra continuar.
Mas não é pra isso que eu tô te escrevendo, amor. É pra lembrar que hoje nos é uma data especial. Foi hoje, a exatamente um ano atrás, que nos conhecemos nessa mesma cabana que você deixou pra mim. Nessa mesma lareira, nesses mesmos motivos pagãos que você me prendeu.
Mas eu acho que agora não tem tanta importância, amor, e eu nem sei porque te chamo de amor. Mas amor é algo que não é assim que acaba, nem é assim que começa, nem é do jeito que a gente planeja ser, mas acaba sendo. É só...ele só existe, mesmo que você não acredite, amor. Mas eu vou estar aqui quando você precisar, e eu sei o quanto isso soa clichê, mas é assim, amor. Amor, eu amo te chamar de amor, amor. Até te expliquei o por quê disso, mas é assim que eu sou, né... e eu acharia maravilhoso se você pudesse me tratar do jeito que eu te trato. Não, minto. Amor, me trate do jeito que você sempre me tratou, tá ótimo assim, tá?
No mais, eu passo os meus dias fazendo o que eu sempre faço, e eu só queria que você soubesse que eu te amo, tá amor? Beijos"
"Foda-se"
"AMOR! Já te disse pra não dizer coisas assim pra mim, não já? Pois bem...hoje meu dia foi ótimo! Comprei aquele livro que eu sempre quis comprar, vou lê-lo e já te mando por correio, ok? Agora vou jantar, queria que você estivesse aqui, daí a gente poderia fazer aquela nossa brincadeira de colocar comida na boca do outro, sabe? Saudades mesmo, dessa nossa barraquinha naquela época que você tocava violão pra mim...Tenho que ir agora, amor, mas eu te escrevo outra vez, tá bom? Amo você, amor. Beijos"
"É mesmo?"
Na próxima carta as coisas aconteceram de um jeito muito diferente, porque uma hora o cérebro cansa de toda essa ladainha de poucas palavras. Pouquíssimas palavras que ferem o ego de qualquer um.
"Amor...eu não vou mais te escrever. Arranjei um namorado aqui, do jeito que eu sempre sonhei, amor. Quando você vier pra nossa barraquinha, traga acompanhante! Quem sabe a gente não conversa e toma um vinho. Beijos, amor. Te cuida."
"Sinto saudades de você, amor. Me aceite de volta, eu te amo mais que tudo nesse mundo, preciso realmente de você aqui comigo. Estou indo vê-la amanhã, comprei passagens agora há pouco, saudades mil. Comprei um vinho... Tomara que possamos compartilhar dele à luz da lareira."
Só que nada disso aconteceu. Ele não foi visitá-la, ela continuou vivendo como sempre viveu, mas agora acompanhada de alguém que ela certamente não amaria, nem agora, nem amanhã, nem no futuro. Nada de especial aconteceu, o mundo continuou girando e tudo, absolutamente tudo, permaneceu inalterado no exterior daqueles novos dois universos destruídos.
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