Todo dia de manhã quando eu perguntava o que tinha pro café da manhã, ela respondia "cigarro e coca-cola".
Óbvio que eu aceitava. E aí começava a falar do dia, de como o sol tava bonito lá fora e de como a gente devia se aprontar logo pra viajar. "Calma, guria." Eu pensava, mas não dizia, não sei por quê.
E acabou que no fim não aconteceu nada. Podia ter chovido, podia ter feito sol, mas a real é que não foi do jeito que devia ter sido, esse tempo.
Cigarro e coca-cola, e todas as outras pessoas importantes viajando, ou se divertindo muito mais que você. Mas o fato é que você está muito além do que realmente acontece, e você fica repetindo as doses tão intensamente, que os dias acabam não passando mais, e você já não sabe quem você viu nas últimas 24 horas, se é que existem as últimas 24 horas, e você acaba que fica nessa dúvida também. Mas tudo passa, tudo acaba passando, e a gente acaba procurando de novo qualquer garrafa na geladeira, qualquer cigarro, qualquer pessoa.
E quando você procura qualquer pessoa, é um sinal de que as coisas provavelmente não estão bem. Mas... Nada pode ser feito, além de esperar. É meio triste, só meio.
E aí você acorda no outro dia, olha ao lado e vê a mesma pessoa da noite anterior, e fica se perguntando se a noite acabou ou se ainda está acontecendo... o barulho, as suas coisas na cadeira ao lado e uma vontade tremenda de vomitar. Esquisito. E aí começam os pensamentos obsessivos, mas é algo passageiro. Muitas coisas são passageiras, mas algumas você faz questão de ignorar.
domingo, 14 de outubro de 2012
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário